Sacerdote brasileiro residente em Roma conta como é preparar uma visita papal

Papa Francisco e Padre Moisés. Foto: Pe. Moisés/Arquivo pessoal

Papa Francisco e Padre Moisés. Foto: Pe. Moisés/Arquivo pessoal

Conforme foi noticiado pelo site Vatican NewsACI Digital e vários outros, no dia 15 de abril o Papa Francisco irá visitar a Paróquia São Paulo da Cruz, no bairro  Corviale, em Roma.

Na Paróquia São Paulo da Cruz, há um sacerdote brasileiro exercendo o seu ministério. O nome dele é Padre Moisés Fragoso, do clero da Diocese de Petrópolis. Em entrevista ao blog Sim, sou Católico, ele conta com como foi receber a notícia de que o Papa lhes faria uma visita além de contar os bastidores dos preparativos para uma visita papal.

Padre Moisés está em Roma desde o segundo semestre de 2017 cursando Mestrado em Sagrada Liturgia.

SSC – Como foi receber a notícia de que o Papa visitaria a sua paróquia?

Pe. Moisés – É sempre uma grande graça, porque é a visita do pastor próprio de uma Diocese que vem para fortificar a fé daquela comunidade. O Papa é o Bispo dessa Diocese, então a visita dele em uma paróquia sua é algo grande, sempre muito forte e bonito além de ser uma oportunidade que as pessoas têm de estar com o seu Bispo.

O último Papa que fez uma visita à paróquia foi João Paulo II em 1º de março de 1992. Ou seja, há 26 anos a paróquia não vê o seu Bispo próprio. É claro que existem outros bispos auxiliares que são muito bons e trabalham bastante.

É um momento muito bonito para a comunidade que lança o primeiro olhar, não para o Papa, mas para o Bispo da sua diocese que vem para anunciar o Evangelho e trazer as maravilhas de Deus neste lugar. Então foi uma experiência muito bonita.

SSC – Como é preparar uma paróquia para a visita de um Papa?

Pe. Moisés – É claro que esta experiência bonita tem tudo aquilo a ser preparado. É algo muito grande e é preciso colocar muita coisa no seu lugar. O Papa Francisco é de uma simplicidade muito grande e de uma humildade incrível, mas nós queremos servir o melhor possível para que ele possa se encontrar com as pessoas.

São muitas reuniões e encontros. É muito diferente, isso eu tenho que dizer, de receber a vista de um bispo diocesano “comum”. Porque um bispo diocesano quando vai a uma paróquia fica lá por um final de semana, às vezes, quando muito, quatro ou cinco dias. O Papa vai ficar conosco somente por algumas horas. E nessas horas que serão intensas, ele vai encontrar as crianças e seus pais, idosos, doentes, haverá algum encontro particular e encontro com os sacerdotes que trabalham na região, não só nós que moramos na paróquia. O Papa também vai confessar algumas pessoas, como ele faz sempre.

Vão ser três ou quatro horas, se não me engano, muito intensas, mas também muito ricas da graça de Deus. E para que essas quatro horas aconteçam bem é preciso trabalho de uma vida, praticamente, e estamos trabalhando há um bom tempo. Recebemos a notícia com cerca de um mês de antecedência, mas não podíamos dizer, pois havia o sigilo que o bispo auxiliar do vicariato pediu que mantivéssemos até a noite da Páscoa.

Imagine você um mês com isso na cabeça sem poder dizer? É claro que o pároco procurou, com a nossa ajuda, trabalhar algumas coisas sem que as pessoas percebessem o motivo: limpar algumas coisas, preparar algumas coisas, porém sem poder dizer claramente a razão daquilo. Quando foi dada a notícia a alegria foi muito grande e claro que se espalhou muito rápido, de modo que todos na nossa região e também fora dela ficaram sabendo.

Tivemos grandes períodos de reuniões depois que a notícia foi anunciada para organizar aquilo que é o objetivo. Não temos tempo para fazer muita coisa como gostaríamos, mas trabalhamos para que o Papa se encontre com as pessoas: que ele possa falar, se quiser, possa cumprimentar, e que possa ver essa experiência do encontro do pastor com suas ovelhas.

Pe. Moisés e Mons. Guido Marini. Foto: Pe. Moisés/Arquivo pessoal.

Pe. Moisés e Mons. Guido Marini. Foto: Pe. Moisés/Arquivo pessoal.

Ainda sobre os encontros, tivemos a reunião com a equipe de Liturgia: o Monsenhor Marini veio com toda a equipe que o ajuda por fora, não aqueles que fazem o serviço litúrgico, mas os que o ajudam por fora. Depois deles, tivemos a reunião com as equipes de TV: a CTV, a TV2000 que é aqui do vicariato, e a RAI.

Tivemos ainda um encontro com a Gendarmeria, que é a polícia própria do Vaticano, com os Carabinieros e com os policiais: tudo isso para poder garantir a segurança do Papa.SSC – Para o senhor, como é viver esse momento marcante em sua vida sacerdotal?

Pe. Moisés – É encontrar o Papa: aí sim, pois ele não é o meu bispo próprio, embora eu esteja aqui trabalhando na Diocese dele. É encontrar Pedro, que nos fortalece na fé e confirma a nossa fé.

Encontrar com o Papa, para mim, não é encontrar com uma pessoa famosa, um popstar, mas é encontrar com Jesus Cristo. Ninguém mais do que ele é o sinal visível de Cristo em nosso meio: não é a toa que ele é o Vigário de Cristo. Ninguém mais do que ele, ao me falar e ao falar para as pessoas, fala em nome de Cristo. Com toda a sua fragilidade humana e física, ele é o sinal mais evidente de Cristo que nós temos.

Então, para mim, é uma graça e alegria muito grande olhar para ele. É uma possibilidade de encontrar-me com o Senhor novamente de uma maneira diversa: não somente na Eucaristia, que já é ponto máximo, mas através de seu representante na Terra, que é o Santo Padre.

Fonte: Site – Sim sou católico – Publicado por 

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